Tambores de Safo
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segunda-feira, 31 de março de 2014
Nas manifestações ocorridas em junho foi enorme a truculência da policia e a violência que o Estado tratou os manifestantes. Essa violência não se esgotou e tem sido frequente a perseguição jurídica e política à ativistas, isso sem falar na criminalização dos movimentos sociais e das praticas históricas de luta e resistência.
Nos, Tambores de Safo estávamos em junho nas ruas, e nas ruas permaneceremos com nossos instrumentos que são a expressão da nossa insatisfação com esse sistema político e econômico que nos oprime.
Em junho duas companheiras do grupo (Lila M. e Micinete) foram presas, agredidas e fichadas por incitação a violência (tocar percussão, supomos, está sendo interpretado como violento), as mesmas companheiras estão respondendo ao processo, e, recentemente houve uma audiência de conciliação da Lila M. onde foi negociado o pagamento de uma multa no valor de R$1.086,00.
A negociação foi aceita para que a companheira não ficassem paralisada ou “fichada” e para que coletivamente pudéssemos pensar em estratégias de resistência. Contudo, a multa precisa ser paga para que o Estado não incorra “legitimamente” contra a companheira.
Estamos, portanto, fazendo uma campanha de arrecadação de dinheiro para pagar a multa, a primeira parcela precisa ser paga até dia 10 de abril.
Para colaborar deposite o valor que quiser / puder contribuir na conta das Tambores de Safo (que está no nome de Deyse Mara Miranda de oliveira e Marliete Beserra da silva):
Banco Caixa Econômica Federal
Conta Poupança: 00018236
Agencia: 0578
OP: 013
A perseguição de ativistas e criação da cultura de medo tem como objetivo nos paralisar, mas aprendemos que podemos exercitar a solidariedade e junt@s resistir!!!
Juntxs somos mais fortes!
Quem quiser saber mais assista o documentário "Com Vandalismo", produzido pela Nigérias Filmes (se estiver com pressa assista a partir de 53m)
https://www.youtube.com/watch?v=KktR7Xvo09s
sexta-feira, 8 de março de 2013
Tambores de Safo no 8 de março contra os fundamentalismos religiosos!
Hoje nós estaremos batucando na Ala contra os Fundamentalismos no 8 de março de Fortaleza!
Concentração as 16h na Praça do Carmo.
Sabe como se chama a prática de usar a Bíblia e o nome de Deus pra justificar violências e disseminação de ódio?
F U N D A M E N T A L I S M O!
Sabe como se chama a prática de querer manter as mulheres submissas; manter a pobreza e discriminação da população negra e indígena; manter a negação dos direitos dos homossexuais; manter o poder do dinheiro e da política nas mãos dos poderosos?
C O N S E R V A D O R I S M O!
Fundamentalismos e Conservadorismos são faces violentas e muitas vezes escondidas de nossa sociedade. A base de suas ideias são o racismo, a homofobia e o machismo. E são as formas mais utilizadas por muitos líderes religiosos para enganar o povo. Pobreza, exclusão, dores e sofrimentos de mulheres, crianças, adolescentes, homossexuais são os resultados dessas ideias e práticas.
O que isso tem a ver com a nossa vida? Veja os exemplos abaixo:
Entre janeiro e junho de 2012 ao menos 5.312 pessoas sofreram algum tipo de VIOLÊNCIA SEXUAL. No caso específico de estupros, de 2009 a 2012, houve crescimento de 157%. (Jornal O Globo).
O número de casos de discriminação da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) atinge entre 10 mil e 12 mil por ano no País. Mais de 200 ASSASSINATOS DE HOMOSSEXUAIS são cometidos por ano no País (Agência Câmara de Justiça).
6 em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. Em 66% dos casos, os responsáveis pelas agressões foram os maridos ou companheiros (Mapa da Violência 2012 - Instituto Sangari, agosto de 2012)
A maioria dos HOMICÍDIOS que ocorrem no Brasil atinge pessoas jovens: do total de vítimas em 2010, cerca de 50% tinham entre 15 e 29 anos. Desses, 75% SÃO NEGROS. (Pesquisa sobre violência contra jovens negros, Senado Federal)
É também por conta dos Fundamentalistas e Conservadores que as mulheres do povo que, por diferentes razões, precisam interromper uma gravidez indesejada e recorrem ao aborto, correm o risco de serem presas e sofrem toda sorte de maus tratos nos hospitais.
Nos perguntemos: NOSSAS AMIGAS, FILHAS, VIZINHAS, IRMÃS, COLEGAS DE TRABALHO, OU MESMO NÓS MESMAS, MERECEMOS SER PRESAS POR REALIZAR UM ABORTO? CLARO QUE NÃO! Pois os fundamentalistas e conservadores não pensam na vida e história dessas mulheres. Se baseiam na ideia de que não temos capacidade ética e nem responsabilidade pra decidir se mantemos ou não uma gravidez! E por isso mandam trancafiar na cadeia as que decidem, pelo bem de sua vida, realizar um aborto! Todas nós mulheres sabemos o que significa ter um filho e temos condições de avaliar se podemos ou não levar adiante uma gravidez. E ISSO É UM DIREITO NOSSO, tanto quanto o direito de manter uma gravidez com todos os cuidados de que precisamos e de ter condições de criar nossos filhos!
Mas não satisfeitos com as violências, o parlamento brasileiro entregou a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minoria na Câmara Federal para um homem declaradamente racista e homofóbico, e explicitamente fundamentalista e conservador: o pastor evangélico Marco Feliciano. Em Fortaleza presenciamos a entrega da presidência da Câmara de Vereadores a outro desses fundamentalistas conservadores: o Vereador Walter Cavalcante!
A aberração de ter disseminadores de violências, em lugares que deveriam construir a paz, é mais um episódio de uma saga sanguinária da luta pelo poder. O resultado disso tem sido o fortalecimento de setores que em nome de Deus justificam suas violências, enganam os fiéis, ofendem o povo, enquanto sugam seus recursos em nome do enriquecimento fácil. A revista americana Forbes informa que dentre os homens milionários do Brasil os pastores evangélicos se destacam: Edir Macedo (950 milhões), Valdemiro Santiago (220 milhões), Silas Malafaia (150 milhões), Romildo Ribeiro Soares (125 milhões) Estevan Hernades Filho e a Bispa Sonia (65 milhões).
Além de usurpar a renda dos fiéis, pastores evangélicos vêm sendo sistematicamente denunciados por suas práticas homofóbicas e racistas e por seus discursos de submissão das mulheres. Também são comuns as notícias de escândalos envolvendo pastores evangélicos que cometem abusos e violências sexuais contra crianças, adolescentes e mulheres.
Setores conservadores da Igreja Católica também promulgam a violência racista e homofóbica e promovem a negação dos direitos das mulheres e da população LGBT, enquanto os incontáveis casos de pedofilia e abuso sexual praticados por padres, bispos, cardeais etc são minimizados e “perdoados”! Tudo isso não é hipócrisia demais?
Abusando da boa-fé dos fiéis pregam a criminalização das mulheres e incitam a intolerância religiosa. Promovem retrocesso na política de prevenção às DSTs e AIDs. Pregam a homofobia e impedem que a comunidade LGBT seja tratada com o respeito que merecem. Suas ideias e práticas machistas facilitam a vida dos agressores de mulheres, minimizam o estupro e outras violências sexuais. Você acha que Deus gosta disso?
E infelizmente, até os ditos governos populares cedem às pressões desses seres humanos violentos. Exemplos: Lula pactuou em 2008, sem diálogo com os atingidos por essas violências, um acordo Brasil – Vaticano que garante à Igreja Católica uma série de privilégios. Desrespeitaram a democracia, pois em nosso país existem muitas outras religiões e na nossa constituição nenhuma pode ser privilegiada! Este governo também negociou com esses setores o retrocesso no Plano Nacional de Direitos Humanos. Dilma por sua vez se comprometeu, através da eleitoreira “Carta ao Povo de Deus”, a não ser contra essas violências. Negociou também os direitos reprodutivos das mulheres durante a Rio+20 com países e setores fundamentalistas.
NOSSA ESPIRITUALIDADE, NOSSA RELIGIOSIDADE, NOSSAS CRENÇAS, NOSSA FÉ E NOSSA RACIONALIDADE NÃO PODEM TOLERAR QUE COLETIVOS INTEIROS SEJAM DISCRIMINADOS, REJEITADOS E VIOLENTADOS! O respeito ao outro e à sua liberdade, assim como a garantia dos seus direitos, não pode ser um problema para nós, mas, a maior nobreza que a humanidade pode construir. O povo cristão sabe disso, muito embora lideranças religiosas teimem em ensinar o contrário! Que a cultura do povo negro e indígena é inferior, que os LGBTs são renegados de Deus e que as mulheres têm de ser submissas. Isso é a maior covardia que as lideranças religiosas podem cometer! Nós mulheres repudiamos esse inferno construido, injustamente, em nome de Deus e da Bíblia, e dizemos:
Assinam essa nota: Fórum Cearense de Mulheres, Articulação de Mulheres Brasileiras, Instituto Negra do Ceará, Tambores de Safo, LAMCE - Liberdade do Amor entre Mulheres no Ceará, Setorial de Mulheres Rosa Luxemburgo - PSOL/CE, Campo Nacional de Juventude Rompendo Amarras, PSTU, Movimento de Mulheres em Luta, Mucama, Serviço de Assessoria Jurídica Universitária Popular - SAJU, Rede Nacional de Advogados Populares, Instituto Terramar e quem mais quiser assinar.
Concentração as 16h na Praça do Carmo.
UMA VIDA SEM VIOLÊNCIA É UMA VIDA SEM MACHISMO, RACISMO E HOMOFOBIA!
FORA CONSERVADORES FUNDAMENTALISTAS!
Sabe como se chama a prática de usar a Bíblia e o nome de Deus pra justificar violências e disseminação de ódio?
F U N D A M E N T A L I S M O!
Sabe como se chama a prática de querer manter as mulheres submissas; manter a pobreza e discriminação da população negra e indígena; manter a negação dos direitos dos homossexuais; manter o poder do dinheiro e da política nas mãos dos poderosos?
C O N S E R V A D O R I S M O!
Fundamentalismos e Conservadorismos são faces violentas e muitas vezes escondidas de nossa sociedade. A base de suas ideias são o racismo, a homofobia e o machismo. E são as formas mais utilizadas por muitos líderes religiosos para enganar o povo. Pobreza, exclusão, dores e sofrimentos de mulheres, crianças, adolescentes, homossexuais são os resultados dessas ideias e práticas.
O que isso tem a ver com a nossa vida? Veja os exemplos abaixo:
Entre janeiro e junho de 2012 ao menos 5.312 pessoas sofreram algum tipo de VIOLÊNCIA SEXUAL. No caso específico de estupros, de 2009 a 2012, houve crescimento de 157%. (Jornal O Globo).
O número de casos de discriminação da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) atinge entre 10 mil e 12 mil por ano no País. Mais de 200 ASSASSINATOS DE HOMOSSEXUAIS são cometidos por ano no País (Agência Câmara de Justiça).
6 em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. Em 66% dos casos, os responsáveis pelas agressões foram os maridos ou companheiros (Mapa da Violência 2012 - Instituto Sangari, agosto de 2012)
A maioria dos HOMICÍDIOS que ocorrem no Brasil atinge pessoas jovens: do total de vítimas em 2010, cerca de 50% tinham entre 15 e 29 anos. Desses, 75% SÃO NEGROS. (Pesquisa sobre violência contra jovens negros, Senado Federal)
É também por conta dos Fundamentalistas e Conservadores que as mulheres do povo que, por diferentes razões, precisam interromper uma gravidez indesejada e recorrem ao aborto, correm o risco de serem presas e sofrem toda sorte de maus tratos nos hospitais.
Nos perguntemos: NOSSAS AMIGAS, FILHAS, VIZINHAS, IRMÃS, COLEGAS DE TRABALHO, OU MESMO NÓS MESMAS, MERECEMOS SER PRESAS POR REALIZAR UM ABORTO? CLARO QUE NÃO! Pois os fundamentalistas e conservadores não pensam na vida e história dessas mulheres. Se baseiam na ideia de que não temos capacidade ética e nem responsabilidade pra decidir se mantemos ou não uma gravidez! E por isso mandam trancafiar na cadeia as que decidem, pelo bem de sua vida, realizar um aborto! Todas nós mulheres sabemos o que significa ter um filho e temos condições de avaliar se podemos ou não levar adiante uma gravidez. E ISSO É UM DIREITO NOSSO, tanto quanto o direito de manter uma gravidez com todos os cuidados de que precisamos e de ter condições de criar nossos filhos!
Mas não satisfeitos com as violências, o parlamento brasileiro entregou a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minoria na Câmara Federal para um homem declaradamente racista e homofóbico, e explicitamente fundamentalista e conservador: o pastor evangélico Marco Feliciano. Em Fortaleza presenciamos a entrega da presidência da Câmara de Vereadores a outro desses fundamentalistas conservadores: o Vereador Walter Cavalcante!
A aberração de ter disseminadores de violências, em lugares que deveriam construir a paz, é mais um episódio de uma saga sanguinária da luta pelo poder. O resultado disso tem sido o fortalecimento de setores que em nome de Deus justificam suas violências, enganam os fiéis, ofendem o povo, enquanto sugam seus recursos em nome do enriquecimento fácil. A revista americana Forbes informa que dentre os homens milionários do Brasil os pastores evangélicos se destacam: Edir Macedo (950 milhões), Valdemiro Santiago (220 milhões), Silas Malafaia (150 milhões), Romildo Ribeiro Soares (125 milhões) Estevan Hernades Filho e a Bispa Sonia (65 milhões).
Além de usurpar a renda dos fiéis, pastores evangélicos vêm sendo sistematicamente denunciados por suas práticas homofóbicas e racistas e por seus discursos de submissão das mulheres. Também são comuns as notícias de escândalos envolvendo pastores evangélicos que cometem abusos e violências sexuais contra crianças, adolescentes e mulheres.
Setores conservadores da Igreja Católica também promulgam a violência racista e homofóbica e promovem a negação dos direitos das mulheres e da população LGBT, enquanto os incontáveis casos de pedofilia e abuso sexual praticados por padres, bispos, cardeais etc são minimizados e “perdoados”! Tudo isso não é hipócrisia demais?
Abusando da boa-fé dos fiéis pregam a criminalização das mulheres e incitam a intolerância religiosa. Promovem retrocesso na política de prevenção às DSTs e AIDs. Pregam a homofobia e impedem que a comunidade LGBT seja tratada com o respeito que merecem. Suas ideias e práticas machistas facilitam a vida dos agressores de mulheres, minimizam o estupro e outras violências sexuais. Você acha que Deus gosta disso?
E infelizmente, até os ditos governos populares cedem às pressões desses seres humanos violentos. Exemplos: Lula pactuou em 2008, sem diálogo com os atingidos por essas violências, um acordo Brasil – Vaticano que garante à Igreja Católica uma série de privilégios. Desrespeitaram a democracia, pois em nosso país existem muitas outras religiões e na nossa constituição nenhuma pode ser privilegiada! Este governo também negociou com esses setores o retrocesso no Plano Nacional de Direitos Humanos. Dilma por sua vez se comprometeu, através da eleitoreira “Carta ao Povo de Deus”, a não ser contra essas violências. Negociou também os direitos reprodutivos das mulheres durante a Rio+20 com países e setores fundamentalistas.
NOSSA ESPIRITUALIDADE, NOSSA RELIGIOSIDADE, NOSSAS CRENÇAS, NOSSA FÉ E NOSSA RACIONALIDADE NÃO PODEM TOLERAR QUE COLETIVOS INTEIROS SEJAM DISCRIMINADOS, REJEITADOS E VIOLENTADOS! O respeito ao outro e à sua liberdade, assim como a garantia dos seus direitos, não pode ser um problema para nós, mas, a maior nobreza que a humanidade pode construir. O povo cristão sabe disso, muito embora lideranças religiosas teimem em ensinar o contrário! Que a cultura do povo negro e indígena é inferior, que os LGBTs são renegados de Deus e que as mulheres têm de ser submissas. Isso é a maior covardia que as lideranças religiosas podem cometer! Nós mulheres repudiamos esse inferno construido, injustamente, em nome de Deus e da Bíblia, e dizemos:
FORA TODA CORJA DE FUNDAMENTALISTAS
RACISTAS, MACHISTAS, E HOMOFÓBICOS!
Assinam essa nota: Fórum Cearense de Mulheres, Articulação de Mulheres Brasileiras, Instituto Negra do Ceará, Tambores de Safo, LAMCE - Liberdade do Amor entre Mulheres no Ceará, Setorial de Mulheres Rosa Luxemburgo - PSOL/CE, Campo Nacional de Juventude Rompendo Amarras, PSTU, Movimento de Mulheres em Luta, Mucama, Serviço de Assessoria Jurídica Universitária Popular - SAJU, Rede Nacional de Advogados Populares, Instituto Terramar e quem mais quiser assinar.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Por um Estado laico e plural que respeita a diversidade nos meios de comunicação!
Entidades do Ceará se contrapõem à transmissão de missas em TV
legislativa
Iara Moura
Observatório
do Direito à Comunicação
Após o anúncio feito pelo presidente da Câmara
Municipal de Fortaleza, vereador Walter Cavalcante (PMDB), no dia 1º de
janeiro, de que teria como uma das prioridades do seu mandato a transmissão de
missas e cultos nos canais legislativos – TV e Rádio Fortaleza – o debate sobre
a laicidade do Estado, a programação e a gestão das emissoras públicas vem
ganhando espaço na mídia, na Câmara e em grupos da sociedade civil. Na última
segunda-feira (21), dia nacional de combate à intolerância religiosa, comunicadores
populares, entidades da sociedade civil, movimentos sociais e parlamentares se
reuniram com o objetivo de abrir um espaço de diálogo para contrapor a a
proposta do presidente da Câmara.
Segundo Aby Rodrigues, do Instituto Negra do Ceará
(Inegra), a proposta representa um movimento de avanço de práticas que
fortalecem o machismo, o patriarcalismo e o racismo. “Lembramos que o mesmo
vereador também é autor da proposta de inclusão da Marcha pela Vida Contra o
Aborto no calendário oficial do município, um ataque direto à luta pela
legalização e descriminalização, quando todas/os sabemos que são as mulheres
negras pobres que mais abortam nesse país e consequentemente são as que mais
morrem pela falta de assistência médica. Além disso, vale destacar que muitas de
nós são praticantes das religiões de matriz africana, crença que já sofre
bastante discriminação em uma sociedade majoritariamente cristã e racista”,
afirma.
Laryssa Sampaio, estudante de Comunicação Social e
militante da Marcha Mundial de Mulheres, reitera a preocupação com o avanço do
conservadorismo e defende que a luta das mulheres “também passa pela luta por
um outro modelo de comunicação”. Segundo a estudante, algumas propostas de ação
foram discutidas na reunião realizada na última segunda-feira. “Conseguimos dar
encaminhamentos que buscam o diálogo com a sociedade, que travam a luta
política por um modelo de comunicação democrático, laico e popular e ainda a
luta no âmbito judicial”, ressalta.
Constituição
O Artigo 19 da Constituição Federal Brasileira proíbe
o Estado de “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los,
embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes
relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração
de interesse público". Em matéria publicada no jornal O Povo em 15 de
janeiro deste ano, o vereador Elpídio Nogueira (PSB) – encarregado de levar
adiante a proposta de transmissão das missas e cultos nos canais legislativos
municipais – afirmou que o estado laico deve respeitar “as maiorias” e que não
se trata de “colocar a religiosidade oficialmente, mas retratar o aspecto
religioso da cidade”.
Em 2010, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) passou
por discussão similar que resultou na determinação de seu Conselho Curador de retirar
os programas religiosos veiculados pela TV Brasil e pelas rádios da empresa de
suas grades de programação, a partir da avaliação que a emissora pública não
poderia conceder espaços para o proselitismo de religiões particulares. Em
2012, o Conselho Curador determinou a criação de uma faixa de conteúdo
religioso orientada por um conselho editorial específico.
Manifestação
As entidades e movimentos presentes na reunião
lançaram hoje uma nota oficial (leia abaixo) se contrapondo à medida dos
parlamentares e anunciaram que irão recorrer ao Ministério Público questionando
o respeito ao princípio da laicidade do estado. Segundo Raquel Dantas,
integrante do Intervozes, o objetivo central do grupo é garantir uma discussão
democrática e participativa sobre a programação dos canais legislativos. “O
caso da veiculação de missas e cultos é um caso específico de conteúdo, mas a
discussão sobre o que é veiculado deve ser geral e acessível a qualquer
cidadão. Um Conselho com participação popular seria um caminho para essa
abertura, como vemos nos avanços tomados pela EBC através do Conselho Curador
num caso semelhante ao da TV Câmara”, defende.
A próxima reunião aberta do grupo acontecerá no
Conselho Regional de Serviço Social – CRESS, no dia 30/01 às 18h. O CRESS está
localizado na Rua Waldery Uchoa, 90, no bairro Benfica.
TV e rádio Fortaleza
Por
um Estado laico e plural que respeita a diversidade nos meios de comunicação!
Nós,
comunicadores populares, movimentos sociais e religiosos abaixo-assinados, questionamos
a transmissão de rituais católicos e evangélicos na TV Fortaleza, proposta pelo
presidente da Câmara Municipal, vereador Walter Cavalcante (PMDB), e assumida
pelo vereador Elpídio Nogueira (PSB).
Acreditamos
que a divulgação da fé ou de quaisquer crenças, pode ser realizada, sem qualquer
discriminação, nos programas das emissoras legislativas. No entanto, somos contrários
(as) ao uso de meios de comunicação públicos para fins de proselitismo religioso,
o que em nada contribui para um ambiente de respeito à diversidade e à pluralidade
de crenças religiosas, valores ético-morais e visões políticas
que caracterizam a nossa sociedade. O privilégio concedido a segmentos, ao
contrário, retira do Estado o seu caráter laico, fortalece uma cultura de intolerância
e por consequência viola direitos.
Por
isso exigimos que se cumpra a Constituição Brasileira, em
seu Artigo 19: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios: I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes
o funcionamento ou manter com eles, ou seus representantes, relações de
dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse
público”.
Acreditamos
que a proposta, divulgada em matéria feita pelo jornal O Povo no dia 15
de
janeiro deste ano (acessível em:
http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2013/01/15/noticiasjornalpolitica,29882
97/tv-da-camara-municipal-transmitira-missas-e-cultos.shtml),
viola a Constituição, uma vez que o projeto não trata da difusão da diversidade
religiosa e cultural de nossa cidade, mas de uma promoção seletiva de religiões
cristãs que contempla apenas grupos restritos. Por isso, solicitamos a
imediata revogação da medida pela Presidência da Câmara Municipal de Fortaleza.
Requeremos,
ainda, em cumprimentos dos pressupostos democráticos e republicanos que devem
basilar a comunicação pública, que a Casa Legislativa abra espaço para discutir
com a sociedade civil a programação da emissora pública legislativa à exemplo do
que vem ocorrendo na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que agrega
televisões, rádios e agências de notícias do Governo Federal. Em 2010, a EBC
passou por um processo similar, cujos debates e consultas resultaram na
determinação do Conselho Curador, com ampla participação da sociedade civil, de
retirar os programas religiosos que compunham a programação da TV Brasil e das
rádios da empresa.
A
deliberação do conselho ratificou um parecer elaborado no mesmo ano pela Câmara
de Educação, Cultura, Ciência e Meio Ambiente do órgão, que defendia ser “impróprio
que os veículos públicos de difusão concedam espaços para o proselitismo de
religiões particulares, como acontece atualmente com os programas que vão ao ar
na TV Brasil aos sábados e domingos, dedicados à difusão de rituais ou de
proselitismo que favorecem a religião católica e a segmentos de outras
religiões cristãs”. Neste caso, os programas foram retirados do ar, e, em
julho de 2012, a EBC criou a Faixa da Diversidade Religiosa, que vai criar um
programa, com uma hora de duração e de cunho jornalístico, focado na reflexão
sobre as diversas crenças e outro, com meia hora, diretamente voltado às
mensagens dos distintos grupos e expressões religiosos.
Nesse
sentido, reivindicamos também, a realização de amplo debate que envolva o poder
legislativo municipal e a sociedade civil organizada para a construção de propostas
de programação para as emissoras públicas ligadas a Câmara Municipal de Fortaleza
(TV e rádio Fortaleza). A nova grade deve contemplar a
diversidade e a pluralidade de ideais e crenças e que cumpra, em última
instância, o objetivo central de informar a sociedade sobre as ações da Câmara
de Fortaleza.
Entidades,
movimentos e outr@s
Articulação
de Mulheres Brasileiras - AMB
ANDES
regional NE 1
Consulta
Popular
Executiva
Nacional dos Estudantes de Comunicação Social
Fábrica
de Imagens
Fórum
Cearense de Mulheres
Fórum
em Defesa da Zona Costeira do Ceará - FDZCC
INEGRA
Intervozes
Juventude
Negra Kalunga
LAMCE
- Liberdade do Amor entre Mulheres no Ceará
Levante
Popular da Juventude
Mandato
Ecos da Cidade
Mandato
Ronivaldo Maia
Marcha
Mundial das Mulheres - MMM
Movimento
de Mulheres Camponesas - MMC
Movimento
Ibiapabano de Mulheres - MIM
Nigéria
Comunicação e Audiovisual
Rede
Nacional de Advogadas e Advogados Populares - RENAP/CE
Catavento
Comunicação e Educação
Serviço
de Assessoria Jurídica Universitária – SAJU
CEARAH
Periferia - Centro de Estudos, Articulação e Referência sobre Assentamentos
Humanos
Grupo
Curumim
Tambores
de Safo
Instituto
de Difusão da Cultura Afro-Brasileira- INDICA
Instituto
Terramar
Afoxé
Acabaca Orá Saba Omi
Associação
Cultural Afro-brasileira Bloco Camutuê Alaxé
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Denuncia! Conservadorismo político em Fortaleza e o ataque machista e racista às mulheres
A nova Câmara de Vereadores de
Fortaleza escolheu como seu presidente, para os próximos dois anos, o Vereador
Walter Cavalcante, vinculado ao movimento Provida, grupo político
ultraconservador, com forte viés moralista e religioso e que tem como uma de suas
principais mobilizadoras nacionais, Lenise Garcia, também membro do grupo
religioso internacional Opus Dei.
Atualmente, uma das pautas desse
movimento é incidir junto ao poder legislativo (em suas diferentes instâncias),
sobre as propostas de reforma no Código Penal que sinalizam avanços na
descriminalização da prática do aborto e na consequente ampliação das
possibilidades de acesso das mulheres aos serviços de saúde, de acordo com suas
necessidades, como é o caso dos serviços públicos para o abortamento seguro. A
principal meta do Provida é manter perseguidas e sujeitas à prisão, as mulheres
que praticam aborto, negando-lhes o acesso àquilo que realmente necessitam: os
serviços de saúde pública e de qualidade. Por motivos óbvios essa meta do
Provida atenta principalmente contra as mulheres pobres e negras.
O presidente da Câmara e os
vereadores, em pleno processo de transição para os mandatos 2013-2016, elevaram
a cidade de Fortaleza a ícone do moralismo, da misoginia e perseguição às
mulheres, impondo às suas cidadãs e cidadãos não só um ataque ao direito de ter
direitos reprodutivos, mas também aos direitos de acesso à informação e
igualdade no debate sobre a temática do aborto. Trata-se da aprovação, em 18 de
Dezembro de 2012, do Projeto de Lei 0223/2012 que institui a Marcha pela Vida
contra o Aborto no calendário oficial de eventos do Município de Fortaleza.
Desconsiderando e sonegando do debate
público os graves problemas que a criminalização do aborto tem gerado para
mulheres e meninas, o atual Presidente da câmara, que é o autor do projeto,
assim como os vereadores que votaram a seu favor, assumiram os princípios
religiosos e moralistas como base da discussão, e as ideias de grupos
religiosos como as mais prioritárias no que se refere aos direitos
reprodutivos. Instituíram a fé religiosa como determinadora de um tema tão
importante para a democracia brasileira, que é o básico direito das pessoas de
decidirem sobre seu processo reprodutivo.
Ironicamente o projeto propõe que a
tal Marcha que defende a violência contra as mulheres que abortam (porque
hostilizar e aprisionar pessoas de bem é violência hedionda e, no caso,
violência coletiva contra um grupo específico), ocorra no mês de novembro,
quando a cidade de Fortaleza e os movimentos de lutas por igualdade comemoram,
no Brasil inteiro, dois importantes símbolos do esforço de superação das
injustiças: o 20 de Novembro da Consciência Negra e o 25 de Novembro de Luta
pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. Ambas as datas são momentos importantes
para que as mulheres negras e pobres se manifestem contra as opressões de que
foram vítimas históricas: do estupro colonial, à violência doméstica, à
perseguição e aprisionamento por decidir sobre sua própria reprodução. Os
parlamentares não poderiam ser mais infelizes em relação às lutas das mulheres,
portanto.
Um legislador/a que minimamente se
preocupa em fazer de seu mandato uma prática democrática tem a obrigação de
buscar compreender em sua complexidade os assuntos sobre os quais decide, não
podendo tratar as necessidades e interesses dos grupos vulnerabilizados como
moeda de troca e promoção política. A democracia exige que a prática política
do legislativo se baseie no diálogo com a pluralidade da sociedade civil para
decidir com a devida atenção sobre o enfrentamento dos problemas de ordem
pública, que não podem ser submetidos aos interesses de nenhum grupo religioso,
já que a fé religiosa é uma escolha pessoal e individual e não pode ser imposta
à cidade, ao estado ou ao país por meio das instituições públicas. A estas
últimas, cabe tão somente garantir que todos os credos e crenças possam ser
exercidos pacificamente pelos indivíduos e pelos diferentes grupos religiosos.
Eis aí uma lição básica de laicidade, assunto sobre o qual reina a quase absoluta
ignorância dos nossos legisladores/as, para nossa imensa vergonha intelectual.
No mundo inteiro, no Brasil e em
Fortaleza diferentes movimentos de mulheres, inclusive religiosas, defendem o
aborto como um direito humano. Mas os vereadores de Fortaleza, no apagar das
luzes de 2012, passaram ao largo do debate e favoreceram ideias cuja
aplicabilidade resulta, explicitamente, em negação de direitos. De forma
alienada, camuflaram o fato de que as maiores vítimas do moralismo religioso
que perpassa o tema do aborto e a sua consequente criminalização são as
mulheres, em especial as empobrecidas pelas desigualdades de classe social e de
gênero e pela predominância do racismo na sociedade e nas instituições. Agiram,
pois, desde uma perspectiva elitista, patriarcal e racista.
Instituir a Marcha contra o aborto
como um evento do calendário institucional municipal significa, também, que os
parlamentares negam às mulheres organizadas a condição de sujeito político do
debate sobre a questão do aborto em Fortaleza e promovem o retrocesso de nossa
cidade ao século XIII quando o sujeito religioso se impunha frente à
inexistência do sujeito de direito. Ao naturalizar as ideias e ideais do
Movimento Provida em relação aos direitos reprodutivos como os únicos “corretos”,
o projeto atenta contra a democracia e fere o direito à igualdade política no
debate sobre a questão. Os grupos que negam às mulheres o direito de ter ou não
ter filhos e manda trancafiar na cadeia as praticantes (pobres) do aborto são
legitimados como interlocutores privilegiados pelo poder legislativo municipal,
tornando-o conivente com as violações dos direitos humanos das mulheres a
despeito de todos os avanços que os movimentos sociais lograram nos últimos
anos em relação à questão.
A criminalização do aborto é um dos
mais graves problemas a ser enfrentado pela democracia brasileira. Primeiro
porque a legislação vigente impõe às mulheres — que não podem parir em um
determinado momento de sua vida e precisam interromper a gravidez — a
clandestinidade, a ameaça de prisão, a vulnerabilidade a procedimentos
inseguros, a exploração econômica, a hostilidade e os maus tratos nos serviços
de saúde. Além disso, pelo fato da gravidez acontecer no corpo das mulheres,
estas são as únicas atingidas, de fato, com a negação do direito ao aborto.
Nota-se, pois, que a legislação que criminaliza o aborto, assim como os
defensores dela, privilegia na vida real o outro sujeito da reprodução, os
homens, sejam eles maridos, namorados, “ficantes”, abusadores ou estupradores.
Nesse sentido, não se pode negar também o cunho explicitamente machista e
misógino do PL 0223/2012. Infelizmente.
Mas não é só isso. Um dos maiores
entraves no avanço dos direitos reprodutivos é a investida conservadora e
reacionária sobre os processos políticos, onde a legítima demanda do direito se
transforma, pela via do moralismo, em instrumento de pressão contra
parlamentares e/ou candidatos, em moeda de troca no vai-e-vem dos interesses. É
esse, por exemplo, o objetivo da campanha a Vida Depende de seu Voto,
encabeçada pelo Provida. Esse processo faz com que os políticos ao invés de
assumirem compromissos com os direitos das mulheres passem a fazer negociatas e
a se submeterem à lógica ultraconservadora, reacionária, racista e machista,
prejudicando enormemente o debate. É público e notório como os direitos
reprodutivos são tratados nas campanhas políticas como fator de “desempate” das
disputas. Frente à formação do senso comum, recheada com todas as heranças de
dominação das mulheres, os políticos brasileiros, quase sempre preferem se
omitir ou se posicionar de forma descomprometida com os reais problemas que
enfrentamos com a criminalização do aborto. Essa é uma das mais graves
heranças patriarcais que nossos “modernos” políticos não superaram.
Do ponto de vista da racionalidade
dos direitos e da autonomia das pessoas, a legalização do aborto é questão
óbvia e simples de se entender: as mulheres não devem ser obrigadas a parir, e
tem plena capacidade de decidir sobre isso! Mas a atitude da Câmara de
Vereadores de Fortaleza demonstrou não só a desinformação e o desconhecimento
do nosso legislativo em relação às questões que envolvem o tema, mas também o
descaso com que os problemas que afetam as mulheres na vida real, independente
de serem as eleitoras a favor, ou não, da legalização do aborto. Não cabe ao
legislativo sancionar o senso comum que prejudica os direitos humanos, mas
estabelecer processos que colaborem com a transformação cultural que promova a
inclusão e o bem estar da população. É assim, por exemplo, no enfrentamento ao
racismo e à homofobia, que embora se configurem como sérias violências são
partes da cultura brasileira e nem por isso o Estado pode permitir ou se omitir
de enfrentar, dado o seu papel de zelar pelo bem de todos e todas. Infelizmente
a maior parte dos políticos não entenderam ainda que a criminalização do
aborto, independente de qualquer fé religiosa, está fortemente vinculada à
cultura patriarcal e machista que violenta e nega historicamente os direitos
humanos das mulheres, principalmente das mais vulnerabilizadas.
A ex-prefeita Luiziane Lins,
infelizmente não se posicionou institucionalmente em relação ao PL do Provida.
Fica na mão do atual prefeito, Roberto Cláudio, a obrigação de zelar pela
igualdade no debate sobre as decisões públicas que dizem respeito à questão do
aborto. Vetar, ou não, o PL 0223/2012 será a primeira atitude do governo
municipal que refletirá o seu nível de comprometimento com as cidadãs de
Fortaleza. E a todos (Prefeito e a, não tão nova, Câmara de Vereadores) é
sempre bom lembrar que o cotidiano das eleitoras é o cotidiano das mulheres, e
que somos nós que abortamos. É legítima nossa organização em defesa de nossas
vidas e necessidades. As mulheres já enfrentaram e superaram muitas opressões,
essa é apenas mais uma.
[1] Assistente Social,
membro da Equipe do Instituto Terramar; do Fórum Cearense de Mulheres, do
Instituto Negra do Ceará, da Articulação de Mulheres Brasileiras; do GT Combate
ao Racismo Ambiental da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, e Relatora
Nacional do Direito Humano ao Meio Ambiente -Plataforma Dhesca Brasil.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Pela vida das mulheres: A luta pela legalização e descriminalização do aborto
“Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”.
Rosa Luxemburgo
A
luta feminista tem como principal objetivo desconstruir os papéis estabelecidos
em nossa sociedade, que nos divide entre mulheres e homens,gerando
desigualdades e colocando, nós mulheres, em uma posição de submissão, nos
impondo o mero lugar da reprodução que nos nega o lugar da produção (trabalho)
e nos excluindo assim do mundo público. Esse modelo que reforça o machismo e fortalece
o patriarcado, nos coloca como testemunhas vivenciais das mais diversas
expressões que permeiam e definem que nós mulheres não possamos ter autonomia
sobre nossas vidas, muito menos, sobre nossos corpos, negando nossa sexualidade
e nos tratando como mercadoria cotidianamente. Por não aceitarmos com
naturalidade esse violento processo de dominação cultural, assumimos a luta das
mulheres, como desafio constante, com radicalidade e nenhuma tolerância aos
procedimentos, sejam no campo da família ou no campo do Estado, que busque nos
submeter.
Na
última terça (18/12) nos deparamos com a notícia de que no plenário da Câmara
Municipal de Fortaleza, foi aprovado em discussão única, o projeto de Lei Nº
223/2012, de autoria do vereador Walter Cavalcante (PMDB), que institui a
Marcha pela Vida contra o Aborto no calendário de Fortaleza. Tal lei nos deixa
extremamente indignadas, primeiramente, por ter sido aprovada à surdina, não tendo
sido pautada publicamente como acreditamos que deve ser o processo legislativo
em um Estado democrático de direitos, excluindo a possibilidade de um debate
com todas e todos implicados com a aprovação da lei, além de representar um
retrocesso na forma de pautar a questão do aborto, assumida por nós feministas,
como acima de tudo, um problema no campo da saúde pública.
Retrocesso porque a
aprovação de uma data no calendário oficial da cidade associando à defesa da
vida a criminalização das mulheres que praticam aborto se constitui, a nosso ver,
na negação da vida das mulheres como legitima a ser defendida pelo Estado, e
reduzindo-nos ao papel biológico que socialmente nos foi imposto. Reiterando
ainda que a criminalização do aborto gera a debilidade da saúde física e mental
das mulheres que cotidianamente, em uma postura responsável, optam pela
interrupção da gravidez, e são obrigadas pelo Estado hipócrita a fazê-lo de
forma clandestina.
Importante ainda
reiterar que os movimentos que se autodenominam contra o Aborto são
protagonizados, quase que exclusivamente, por religiões cristãs, comprometendo assim,
o principio constitucional a laicidade do Estado.
Acreditamos
ainda que a aprovação do PL Nº 223/2012 é uma forma de manipulação da opinião pública quanto às
proposições apresentadas para a Reforma do Código Penal que ampliam o direito
das mulheres na condução de sua vida reprodutiva de forma autônoma. Essa crença
se baseia no fato que o prazo de proposta de emendas ao novo Código está
suspenso e que há expectativa que ocorram em 2013 uma série de audiências
públicas e que após haja um novo prazo para apresentação de emendas.
Não podemos
compactuar com a criminalização das mulheres condenadas ao abortamento
inseguro, vítimas da insuficiência e sucateamento da saúde pública incompetente
ao lidar com a prevenção e com o trato a saúde reprodutiva das mulheres,
sobretudo as pobres que dependem do Sistema Único de Saúde. Não podemos admitir
que o debate seja tratado de forma superficial e regido pela igreja, pois em
tese vivemos em um estado laico.
Reconhecemos
a importância das parcerias que ao longo desse trajetocontribuíram de forma
significativa para avançarmos na concretização de um mundo justo e igualitário
entre mulheres e homens, respeitando a auto-organização das mulheres, e,
entendemos que com a ofensiva reacionária frente as nossas conquistas não
podemos recuar. Por isso apresentamos a nossa pauta, solicitando a única coisa
que diante de tantos absurdos nos parece razoavelmente racional e pautada nas
necessidades reais de grande parte das mulheres: O Veto ao PL Nº
223/2012!!!
Compreendemos
ainda que o veto ao PL não garante que a próxima legislatura desarquive o
projeto, votando novamente e enviando ao próximo prefeito, ou mesmo que o veto
a partir de 02 de janeiro seja derrubado, no entanto, acreditamos que o veto
demarca a posição política das mulheres feministas, nos fortalecendo enquanto
movimentos e nos instrumentalizando para pautar a questão na sociedade. O veto, diante de todas as imposições
antidemocráticas representa a capacidade de resistência, marca tão usual em nós
mulheres de luta.
Acreditamos
que juntas podemos resistir aos ataques reacionários e rasos, e, no cotidiano
transformar Fortaleza em uma cidade justa com as mulheres!Acreditamos no
comprometimento que esta gestão sempre teve com a luta das mulheres,
representado por uma prefeita que tem como característica sua ousadia e que não
permitirá que tal lei seja sancionada em seu governo.
Fortaleza,
26 de dezembro de 2012
Assinam esta nota:
Frente
Estadualpela legalização e descriminalização do aborto
AMB
- Articulação de Mulheres Brasileiras
Marcha
Mundial das Mulheres
Fórum
Cearense de Mulheres
Instituto
Negra do Ceará - INEGRA
FRIDA
KAHLO Organização Feminista
Casade
Cultura eDefesa da Mulher Chiquinha Gonzaga
Juventude
Negra Kalunga
IJC
– Instituto de Juventude Contemporânea
KIZOMBA
ENEGRECER
ELO
FEMINISTA
Casa
das Orquídeas
Tambores
de Safo
LAMCE
- Liberdade do Amor entre Mulheres no Ceará
Movimento
de Mulheres Olga Benário
Cunhã
- Coletivo Feminista
União
de Mulheres de São Paulo
Fórum
de Mulheres da Amazônia Paraense
SOS
Corpo
Cfemea
URUCUM
RENAP/CE
Diretório
Central dos Estudantes do IFCE
CUT
– Central Única dos Trabalhadores e Trabalhadoras
FETAMCE
– Federação dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal do Estado do Ceará
Diretório
Central dos Estudantes da UECE
Executiva
Nacional de Estudantes de Serviço Social - Região 2
SAJU
– Serviço deAssessoria Jurídica Universitária Popular
Consulta
Popular do Ceará
Levante
Popular da Juventude do Ceará
PCB/CE
– Partido Comunista do Brasil
UJC/CE
– União da Juventude Comunista
Emir
Sader
Luana
Paula Moreira Santos – Assistente Social – CRESS 4691
Joice
Costa Mendonça – Estudante de Administração – FIC
Eudes Baima -
Professor da UECE, vice-presidente da
SINDUECEsexta-feira, 10 de agosto de 2012
Domingo tem participação das Tambores de Safo no Encontro Afro no Estoril.
São as Prévias da Feira da Música que já estão rolando!
Apareça vai rolar uma batucada irada com diversos grupos de percussão de Fortaleza!
São as Prévias da Feira da Música que já estão rolando!
Apareça vai rolar uma batucada irada com diversos grupos de percussão de Fortaleza!
quarta-feira, 25 de julho de 2012
25 de julho - Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha
Hoje, dia 25 de Julho, nós mulheres das Tambores de Safo, estamos em festa e celebração!
E para contagiar a todas e todos com nossos cantos de memória, lamento, orgulho e celebração convocamos tod@s a estarem com a gente no Mocó Estudio, na Rua José Avelino - Praia de Iracema a partir das 20h onde faremos uma apresentação especial marcando este importante dia!
Desde 1992, a partir do I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, o 25 de Julho é celebrado como o dia internacional da luta e da resistência da mulher negra. Para marcar a data, nós das Tambores, estamos junto com o Inegra - Instituto Negra do Ceará e outros coletivos de mulheres negras, feministas e antiracistas como a Articulação de Mulheres Negras Brasileiras -AMNB e Articulação de Mulheres Brasileiras -AMB realizando a Campanha "Negras Livres", reafirmando a beleza, cultura e identidade da mulher negra. Ação tem como iniciativa também colaborar no combate a qualquer tipo de discriminação e opressão sobre essas mulheres.
Conheça nossos materiais de campanha e compartilhe na internet. Abaixo algumas das iamegsn que já estão circulando.
Quarta feira tem festa imperdível!
Celebração do Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha!
Show de Tambores de Safo e lançamento do livro Tambores pra Nzinga de Nina Rizzi, Tambor de Criola de Mestre Felipe, Ibadã Brasil e muita capoeira na Quarta de Iansã no Mocó Estúdio, na Praia de Iracema!
E para contagiar a todas e todos com nossos cantos de memória, lamento, orgulho e celebração convocamos tod@s a estarem com a gente no Mocó Estudio, na Rua José Avelino - Praia de Iracema a partir das 20h onde faremos uma apresentação especial marcando este importante dia!
Desde 1992, a partir do I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, o 25 de Julho é celebrado como o dia internacional da luta e da resistência da mulher negra. Para marcar a data, nós das Tambores, estamos junto com o Inegra - Instituto Negra do Ceará e outros coletivos de mulheres negras, feministas e antiracistas como a Articulação de Mulheres Negras Brasileiras -AMNB e Articulação de Mulheres Brasileiras -AMB realizando a Campanha "Negras Livres", reafirmando a beleza, cultura e identidade da mulher negra. Ação tem como iniciativa também colaborar no combate a qualquer tipo de discriminação e opressão sobre essas mulheres.
Conheça nossos materiais de campanha e compartilhe na internet. Abaixo algumas das iamegsn que já estão circulando.
Quarta feira tem festa imperdível!
Celebração do Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha!
Show de Tambores de Safo e lançamento do livro Tambores pra Nzinga de Nina Rizzi, Tambor de Criola de Mestre Felipe, Ibadã Brasil e muita capoeira na Quarta de Iansã no Mocó Estúdio, na Praia de Iracema!
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